Relato do Parto da Gabriela

Relato do Parto da Gabriela

Era domingo, uma semana antes do feriado de carnaval, onde na segunda feira eu completaria 40 semanas de gestação. A minha gravidez foi toda tranquila. Alguns sintomas incômodos, mas a essa altura eu tava curtindo bastante o barrigão e tentando segurar a ansiedade!

Meu marido toca em um bloco de Pré-Carnaval e ia tocar no fim da tarde de domingo. Resolvi que ia assistir pra ver se Gabi se animaria um pouco. Eu andava um pouco tensa porque não sentia nenhum sintoma de que o trabalho de parto estava próximo. Achava que a menina ia fazer 18 anos ainda dentro da barriga! 😀 Eu dormia muito bem, não sentia dores na lombar, nem sinal de tampão, nada! O máximo que senti nos últimos dois dias antes dela nascer foi um inchaço nos pés. Pouco antes de sairmos pro show, quando fui ao banheiro, fiquei animada porque começou a sair um pouquinho do tampão. Durante o show não senti nada de diferente, tudo tranquilo! Depois do show ainda saímos pra comer sushi e sorvete.

Fomos pra casa, fui tomar banho pra dormir. Saiu mais um pouquinho do tampão, dessa vez com um pouco de sangue. Tomei banho e logo em seguida deu vontade de fazer xixi. Sentei no sanitário e nada… Quando fiquei em pé senti um pequeno “ploft” dentro de mim e a água começou a descer com um pouco de sangue. Foi a bolsa que estourou! Não parava de sair água. Fiquei feliz e ao mesmo um pouco assustada. Mandei mensagem pra minha Doula (Pollyana) e fomos conversando. Como eu ainda não tinha contrações, ela sugeriu que eu fosse descansar e observasse algum novo sinal. Vesti um fraldão descartável e acordei meu marido que já estava cochilando. Disse a ele “Vai começar!”. E ele: “Começar o quê?, Começar o quê?” Demorou um pouco pra cair a ficha! Deitamos, começamos a gravar uns vídeos no celular, fizemos o check list de coisas pra levar pro hospital e fomos tentar dormir.

Comecei a sentir contrações logo em seguida. A primeira foi leve e foram aumentando de intensidade. Não tinham ritmo. Senti 8 e as 3 últimas foram bem intensas. De repente, deu vontade de ir ao banheiro fazer cocô! Fui. Quando sentei no sanitário, senti algo começar a sair… Chamei Rodolfo que correu rápido. Pedi o espelhinho e vi algo saindo. Não acreditava! Pedi pra ele olhar o que era e de repente: “Um pé! O pezinho dela tá saindo!!!” Ele disse impressionado!

[A Gabriela estava pélvica desde às 24 semanas. Tentei de tudo pra ela virar: moxa, acupuntura, posições da Naoli Vinaver, cambalhotas na piscina, caminhada e nada a fez mudar de ideia! O plano era esperar o trabalho de parto e se tivesse tudo ok, faríamos o parto mais natural possível. Mas…]

Rodolfo teve o impulso de tentar pegar nele e eu avisei firmemente que não! Eu tinha medo de algum reflexo dela. Com esse pé pra fora, respiramos fundo pra manter a calma e ligamos pra Pollyana. Rodolfo falou “Pollyana, a menina tá saindo.” A Polly, que é uma pessoa super calma, zen, pausou a respiração por alguns segundos e perguntou: “como é que é, Rodolfo?” . E ele: “O pezinho dela tá pra fora.” Depois que ela entendeu a situação orientou que eu ficasse na posição de quatro apoios enquanto ela falava com a nossa médica. Colocamos uma toalha na cama e fiquei aguardando. Ela ligou em seguida dizendo que estava a caminho da nossa casa, mas depois ligou e disse que a orientação da médica era irmos o mais rápido possível pro hospital. O maior desafio aqui era a nossa casa, que é um duplex e a escada é bem estreita. Fiquei numa posição meio corcunda e fui descendo devagar. As bolsas da maternidade já estavam prontas, logo ao lado da porta, junto com o bebê conforto e a pasta com exames e documentos, o que facilitou muito a vida.

Ao chegar na garagem senti outra contração e desceu muita água e sangue. Nossa cadelinha ficou bem atordoada, sem entender nada da situação! Consegui entrar no carro, fui de quatro no banco de trás, sempre seguindo as recomendações da Polly e da Dra. Bárbara.

Chegando ao hospital Polly já estava lá e havia mobilizado maqueiro, segurança…o maqueiro ao ver a cena ficou tão nervoso que parecia o urso do pica pau, de um lado pro outro!! Kkkk Tive que subir na maca pq ela não abaixava. Ainda bem que me cobriram com um lençol, pq eu tive que ir de quatro na maca também e ainda passei nessa pose pela recepção da emergência.

Como protocolo do hospital, fui ser avaliada pelo plantonista – que diga-se de passagem foi o único ser humano que foi desagradável em toda a nossa estadia lá. Além da pose de “por que não marcaram logo a cesariana?!”, ainda queria que Rodolfo ficasse lá embaixo resolvendo burocracias. Foi a única hora nessa sala em que eu levantei a cabeça e gritei que ele ia subir comigo, pq a menina não ia esperar. Eu já tinha uma pré-autorização do plano de saúde e ele poderia resolver o resto depois. Além do mais, se o pezinho estava pra fora, já caracterizava estar no fase expulsiva do trabalho de parto, não tinha como esperar.
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A Dra. Bárbara já estava no Centro Obstétrico nos esperando. Fiquei muito aliviada quando a encontramos. Senti umas contrações quando cheguei lá. A Dra. Observou direitinho a situação daquele pezinho ali pra fora, tentou fazer exame de toque, maaas…
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Sentou na minha frente e só pelo olhar dela eu já imaginava o que ela iria dizer. Devido a posição em que estava o pé, não foi possível fazer o toque e saber a quantas andava a dilatação. As contrações continuavam sem ritmo e o melhor naquele momento era irmos para a cirurgia.
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Eu concordei sem mais delongas. Nós confiamos bastante na nossa equipe e eu só queria a Gabi aqui fora com saúde. Eu sempre morri de medo da cirurgia, mas encarei como algo necessário. Enquanto o anestesista me preparava, a Dra. segurava minha mão tentando me distrair daquele processo. Quando estava tudo pronto, Rodolfo e Polly entraram na sala. Polly segurava minha mão o tempo todo e Rodolfo ficou atrás de mim, conversando comigo, me apoiando e vendo tudo ali da cirurgia. Eu tinha muito medo de sentir o corte ou repuxos em mim, mas não senti absolutamente nada além da dormência total. Eu falava pra eles desse medo e anestesista querendo me tranquilizar disse: “Não sente nada não, já abriram e tal…” Eu olhei bem firme pra ele dizendo “Não quero saber! Não me conte.” Tadinho…eu sei que ele só queria ajudar! Ainda olhei pra Pollyana e falei, do nada: “Eu não assisto nem Grey’s anatomy porque não gosto de sangue!” hauehuhauehuhahea 😀
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Ao som desse mantra que a Polly colocou vi aquele serzinho que chegava e fiquei emocionada! Eu tremia muito devido ao efeito da anestesia e isso me deixava meio agoniada. Rodolfo seguiu acompanhando ela o tempo todo nos procedimentos. Eu fiquei ali esperando terminar a cirurgia e depois fui pro repouso. Logo depois ela veio pro meu peito.
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No dia seguinte foram feitos exames e estava tudo ok com o pé e a perninha dela.
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O parto não foi como eu imaginava, mas foi respeitoso e sempre pensando no melhor pra nós. Somos muito gratos a nossa amiga/doula Pollyana e a Dra. Bárbara que sempre foi muito clara conosco, esclarecendo nossas dúvidas e fazendo todo o acompanhamento. Fundamental também foi participar dos encontros de grávidas e ir criando laços nessa rede de apoio tão importante.
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Tenho aprendido muitas coisas nesse processo todo, mas o certo é que o parto é só a ponta do iceberg nessa nova fase. <3

Gabriela nasceu na madrugada das 40 semanas de gestação, no dia 05 de Fevereiro de 2018 às 02h10. Tem o sol em aquário e o ascendente em sagitário. <3

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